terça-feira, 3 de agosto de 2021

retorno

espantando a poeira que se acumula em versos, linhas e palavras. fazia tempo que não aparecia, não é mesmo? quase esqueci desse trabalho de costurar palavras com as batidas do coração. por falar nele, quase saia pela boca nestes tempos que estive ausente. vi e vivi muitas coisas, desde gente partindo para nunca mais voltar até reencontros permeados de espera e amor. estive muito mal e estive bem. não necessariamente nesta ordem. teve dias que nem estive, de tamanha contradição e sentimento.

saudade de escrever. sobretudo de me encontrar em linhas que não de costura. falar da maré passional que resvala aqui e desemboca em tudo. silenciosamente. ou não.

prometo voltar em breve.

você bem sabe.

eu sempre volto. 


domingo, 13 de outubro de 2019

ofertório

como se reza para um amor?

de pés descalços, corpo lavado?
mãos vazias, preces cheias?
rosto salgado?
se pede ou agradece?
ou torce por um final feliz?


sussurrou baixinho a prece de outrora:
queria que você acreditasse em nós,
como quem acredita em milagres.


amem.

quinta-feira, 8 de agosto de 2019

no peito

coração bobo
coração bola
coração balão...

coração pedra

tem dias que em vez de ser leveza,
afunda e naufraga no peito
machuca quem carrega ele


terça-feira, 30 de julho de 2019

é corda de roda

me desnorteia sempre que aparece. quase faz com que eu esqueça o caminho. rouba riso, deixa uma palavra cheia de graça, atiça um pensamento equivocado quando o ponteiro do relógio anuncia que é a hora que o sol faz o céu pegar fogo. vem de longe, daquele tempo antigo e por isso, parece que sempre esteve aqui, mesmo que suma. às vezes nem lembro, às vezes fica aqui mais tempo do que eu percebo.

carrega um cânion na boca e no peito, que impressiona pela beleza da armadilha.
e nesse desfiladeiro vertiginoso, um dia escreverei molhada pela tua saliva.

sexta-feira, 29 de março de 2019

válvula de escape

estranha relação entre olhos marejados, palavras e o medo da morte.

me escapa dos dedos mil versos, trovas e linhas. os olhos inundados de palavras e o peito que não se cala, segura a boca, mas solta o pensamento que transborda.

escrever é afago.

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2019

passionalidade arredia

vestida com a pele ao contrário,
aquilo que toca,
toca direto na carne.
aquilo que sorri,
anestesia todo o corpo,
cintila de luz e brilha.

mas aquilo que dói,
machuca duas vezes.
sangra salgado.

e morre.
e mata.
e em tempo,
renasce.

vira flor em espinho.
mas flor,
cor de vinho
gosto e gole
de vida.


quinta-feira, 15 de novembro de 2018

bruta flor

tempestade ventania vulcão, tudo dentro do peito. tudo me engole e faz luz dentro de mim, onde consigo ver o que reluz: certezas que cintilam. tudo que quero, no plano ideal, tudo que tenho no plano real. poucas coisas ganhas, muitas em disputa.

falta força e as vezes falta fé.
choro vermelho que invade a retina e inunda minha palavra. quero tudo.